
O jogo 2
da primeira fase da Libertadores 2011 coloca frente a frente Real
Potosí - BOL e Flamengo - BRA. Num jogo com certa polêmica, se você
pensou na altitude, acertou! O estádio Victor Agustín Ugarte é o
mais alto do mundo, os 3960 metros do nível do mar prejudicam a
absorção de oxigênio no corpo de jogadores que não estejam
ambientados ao ar rarefeito, isso obviamente favorece os atletas
locais. Apesar de todas as polêmicas nos últimos anos, com
jogadores precisando de tubos de oxigênio ao lado do gramado para
buscar um ar, o Real Potosí não abre mão de jogar em casa, com toda
razão. Que culpa os bolivianos têm de sua localização geográfica? É
uma situação complicada.

Garanto
que não é piada, mas o Real Potosí foi fundado no dia 1º de abril
de 1986, depois acabou se fundindo como o time do Banco Minero
(Bamin), time fundado em 20 de outubro de 1941. Passando a se
chamar BAMIN Real Potosí. Como você pode notar, o distintivo do
clube lembra muito o de um gigante do futebol mundial. O espanhol
Samuel Blanco (atual presidente da instituição) renomeou o clube
homenageando seu time do coração, fazendo clara referência ao Real
Madrid, tanto no nome como no distintivo. O time boliviano tem
apenas dois títulos em sua história. O Apertura 2007 e a Copa Simón
Bolívar, que entre 1960 e 1976 era considerado o campeonato
nacional da Bolívia. Com a criação da Liga de Futebol Profissional
Boliviano a Copa Simón Bolívar só voltou a ser disputada em 1989,
desde então é a segunda divisão no país.
Para um
time que não é um dos maiores da Bolívia, até que o Real Potosí tem
alguma experiência internacional, já disputou a Libertadores em
cinco oportunidades e a Copa Sul-Americana em
2007.Conseguiu
a vaga na Libertadores 2012 após ser vice campeão do Torneio
Adecuación.
Os
maiores destaques são, na defesa, os paraguaios Claudio Centurión
e Henry Lapczyk e o nativo Dani Pachi. Lapczyk já
defendeu as cores do Olímpia, maior clube de seu país, além de uma
passagem pelo chileno CD Huachipato. Pachi que apesar dos seus 1,66
de altura joga na defesa, usa a camisa 10 e já tem 13 convocações
para a seleção boliviana, o que não significa muito. O clube ainda
tem mais três estrangeiros, os meias Guillermo Chena, Ramiro
Fergonzi e Sebastián Carrizo, todos argentinos. Nem sempre ser
argentino é sinônimo de qualidade como jogador. Poderiam ser quatro
hermanos se o centro-avante grandalhão Maximiliano Alvares não
tivesse rumado para o Central Córdoba, time que disputa divisões
inferiores na Argentina.
Então a
responsabilidade cai nos pés de três jogadores, todos ofensivos,
são eles: Nelson Sossa, Gerardo Yecerotte e José Luis Ortíz. O
primeiro já foi convocado para a seleção boliviana em cinco
oportunidades, marcou um gol. O segundo tem 26 anos, 3 convocações
e 1 gol pela Bolívia. Ortíz foi muito jovem para a Alemanha jogar
no Bayern de Munich. Ficou alguns anos no Bayern Munich II, onde
marcou cinco gols em 28 jogos. Posteriormente acabou emprestado ao
Saarbrücken, que hoje se encontra na terceira divisão alemã, não
deixou saudades. Passou pelo NK Nafta Lendava da Eslovênia, jogou
no Uruguai, na seleção Sub-20 e tem apenas um jogo pela seleção
principal. Ficou claro que não é o jogador que os alemães esperavam
que fosse. E assim, o clube tentará desbancar o Flamengo, com o
reforço da altitude. Mas cá entre nós, difícil a essa missão. Os
clubes já se enfrentaram em 2007, quem não se lembra dos jogadores
do Flamengo se arrastando em campo? Implorando por oxigênio!
Portanto o time brasileiro sabe bem o que vai enfrentar, o jeito é
não levar goleada lá, que no Rio o Flamengo é franco
favorito.

Depois de
um 2011 decepcionante, o clube carioca conseguiu a vaga na
Libertadores 2012 por ter sido o quarto colocado no Campeonato
Brasileiro. O time campeão em 1981, disputará a competição pela 11º
em sua história. Além do título no ano mais glorioso do clube, o
Flamengo chegou a duas semifinais.
No começo
do ano passado a torcida do Flamengo ficou eufórica, não era para
menos, afinal de contas um dos maiores craques recentes havia sido
confirmado como reforço do clube. Não só Ronaldinho Gaúcho, como
também Thiago Neves, o argentino Darío Bottinelli. O começo foi
ótimo, campeão invicto do Campeonato Carioca, uma grande série de
jogos sem perder. Era só festa, "Bonde do Mengão sem Freio", um
funk feito em homenagem ao clube, entre outras coisas. Eis que não
se atentaram para o fato de que o clube estava invicto pois não
havia enfrentado ninguém. Quando jogou com os outros três grandes
do Rio, tomou sufoco e venceu algumas nos pênaltis. Na Copa do
Brasil, quando enfrentou um time minimamente organizado, foi
eliminado.
Mas a
farsa ainda perdurava, o melhor ataque chamava mais atenção do que
o fato de ser o time que mais empatava no Campeonato Brasileiro. As
dancinhas de Ronaldinho, ao lado de companheiros mais animados como
o liso Negueba, faziam a alegria do povão. Após os gols o
ex-jogador do Barcelona ficava "Parado na Esquina", comemorando
fazendo alusão a um outro funk. Houve também aquele inesquecível e
memorável jogo contra o Santos, onde o Flamengo conseguiu um
vitória de virada por 5 a 4 bastante improvável. Ronaldinho comeu a
bola neste jogo, fazendo os críticos implorarem por sua volta a
Seleção Brasileira, lugar onde nunca se destacou como esperado. A
não ser que você conte com aquele gol sem querer nas quartas de
final da Copa de 2002. A perda da invencibilidade mostrou que o
"SuperFla" não era tão poderoso assim. E os 10 jogos (parado na
esquina) sem vencer no campeonato implodiram de vez as chances de
título do clube carioca. No fim das contas, a vaga na Libertadores
acabou servindo como prêmio de consolação.
Dirigentes
aqui no Brasil precisam entender que campeonatos estaduais não são
parâmetro para nada. Devem sim, ser encarados como uma
pré-temporada, para ir encaixando novas peças, entrosando os
jogadores e ajeitando o time taticamente. Se pintar um título, nada
mal não?
Um pena
ver um jogador como Ronaldinho, ainda jovem para os padrões do
futebol atual estar totalmente desmotivado. Está pouco ligando para
o clube que defende, seus interesses são claramente
egocêntricos.
Só quer
saber de grana, mulheres, festas, e quando não tem mulheres fica
exibindo seu órgão sexual pela internet. Joga bem quando quer,
e olhe lá, outros que realmente se matam, dão sangue pelo clube são
pouco falados. Como Leonardo Moura, Airton e Willians, o monstro
que não acerta um passe, mas na sua função primordial é ótimo. Para
este ano o Flamengo está tendo muitas dificuldades para certar com
Thiago Neves, que interessa o Fluminense. O Al Hilal da Arábia
Saudita, dificulta bastante, tumultuando o ambiente, querendo mais
dinheiro para selar de vez a transação. E o Fluminense afirmou que
tinha chegado a um acordo com o jogador. Ele e seu empresário
negaram prontamente, ratificando o interesse em permanecer no
Rubro-Negro. Outro sonho da presidente Patrícia Amorim é Vágner
Love, o presidente do clube russo, Evgeny Giner liberou o jogador,
desde que o clube interessado pague os 14 milhões
exigidos.
O
Flamengo chegou a enviar uma proposta oficial, mas não foi aceita
pelo clube russo, que quer mais grana.
Com as
dificuldades citadas, de concreto mesmo até agora só as chegadas de
Itamar e Magal. O desconhecido lateral-esquerdo que disputou a
Série B com a camisa do Americana fez bons jogos e chamou atenção
do Rubro-Negro. Veio de um clube que originalmente é o
Guaratinguetá, mas um grupo de empresários levou o time para a
outra cidade do interior paulista, hoje o clube já voltou a ser o
popular Guará! Para o bem do futebol, não vejo com bons olhos esses
times itinerantes, sem identidade. Itamar despontou bem no Brasil
com a camisa do Goiás, o que o levou ao Palmeiras e posteriormente
ao São Paulo. O jogador revelado pelo Cruzeiro e com passagem pelo
Iraty do Paraná, retorna ao Brasil depois de quase 10 anos. Jogou
na Coréia do Sul por seis anos, três anos no México, esteve
emprestado ao Al Rayyan, do Catar. Lá formava dupla de ataque com
Afonso Alves, era treinado por Paulo Autuori. Trata-se de um
jogador de bom posicionamento, típico centro-avante, bom no jogo
aéreo. Ele poderá rivalizar com Jael "O Cruel", na tentativa de
ganhar a vaga de Deivid, que faz muitos gols, mas também perde
outros incríveis.
Alguns
jogadores retornaram de empréstimo e podem ser úteis para Vanderlei
Luxemburgo, são os casos de Camacho, Fabiano Oliveira e Paulo
Sérgio. O primeiro é jogador de meio-campo e foi bem atuando pelo
Bahia. O segundo apareceu bem, defendeu seleções brasileiras de
base, mais um atacante de área. O terceiro já fez boas partidas com
a camisa do Mengão mas nunca conseguiu se firmar. Na pior das
hipóteses pode ser útil pelos lados do campo. De resto os
torcedores do Flamengo podem comemorar pela base mantida, além de
jovens promissores como Thomás, o goleirão César, Luiz Antônio e
Luiz Philipe, conhecido como Muralha. Luxemburgo mostrou estar
levando bem a sério a preparação, sem a velha prepotência
brasileira no futebol. Parece que a lição do Deportes Tolima foi
bem compreendida não só pelo Corinthians, mas pelos outros clubes
brasileiros. Não dá para subestimar ninguém, o negócio é ter
comprometimento.
O
Flamengo está fazendo sua pré-temporada em Londrina, no Paraná.
Nesta quinta-feira 12/01, fez um amistoso contra o time que leva o
nome da cidade e teve dificuldades, o que é natural no começo de
temporada. O time escalado por Luxemburgo foi:
Felipe,
Léo Moura, Welinton, Alex Silva, Junior César, Luiz Antônio,
Aírton, Willians, Renato Abreu, Ronaldinho e Deivid.
Na
segunda etapa o "pofexô" mudou todo o time e observou para tirar
suas conclusões, jogaram:
Paulo
Victor, João Felipe, Gustavo, David Braz, Magal; Vitor Hugo,
Muralha, Bottinelli, Negueba (Camacho); Itamar e Jael.
Luxemburgo
espera a definição do caso Thiago Neves, se ficar deve entra no
lugar de Luiz Antônio. E Bottinelli com o golaço de ontem, pode
colocar o treinador em dúvida. Renato Abreu ou Botti?
No
domingo, dia 15, o Flamengo tem outro amistoso pela frente, desta
vez contra o atual campeão brasileiro. Após o jogo contra o
Corinthians, o time carioca deve ir para São Paulo, fica um dia por
lá e embarca para Sucre, na Bolívia. Onde começa sua preparação
para o confronto com o Real Potosí. O jogo é no dia 25/01, mas como
todos sabem, é necessário chegar antes para se adaptar ao ar
rarefeito. Em Potosí, o maior adversário deve ser mesmo a temida
altitude.
O
vencedor do Jogo 2, entra no Grupo homônimo, onde já estão
definidos Olímpia - PAR, Emelec - EQU e Lanús - ARG. Não se pode
dizer que é um grupo fácil, mas não chega a ser assustador. Bom ver
o gigante Olímpia de volta após alguns anos ausente da
Libertadores.